Era uma sexta-feira 13 e a Lua já tinha aparecido no céu. Na cidade grande tudo continuava na mesma, nada de abóboras, caveiras, nem fantasmas, até porque isso não passa de um monte de besteiras que o povo inventa. Mas, a tranquilidade se foi e o azar chegou com tudo.
Os carros que passavam eram um bando de gatos pretos e, dessa vez, nem foi preciso passar embaixo da escada, bastou passar por baixo de um viaduto muito bem planejado e super seguro, pra ser atingido por grandes monstros de 85 toneladas. E não é que oito mais cinco é igual a 13?
Enfim, vamos deixar as coincidências de lado. Afinal acidentes acontecem não é mesmo? É claro que agilizar e economizar a grana das obras não tem nada a ver com isso. E o que tem de mais em saber que o material usado não era o combinado na papelada? E, ainda, qual o problema de conhecer mais 13 aberrações, além dessa, e ficar quieto? Nada, tudo normal, porque, como mamãe dizia, em boca fechada…
Agora o importante é compensar o silêncio e, assim, começar o furdunço. A oposição pressiona o Governo para que ele assuma seu erro, o Governo joga a culpa na galera comandada pelo Sr. Paulo Vieira de Souza que, se souber ser tão “político” quanto os primeiros, convencerá o povão de que a grande culpada dessa história foi a macabra sexta 13. O que seria bem simples, Paulinho ergueria um calendário e gritaria aos quatro cantos que todos ficassem sossegados, porque até o final das obras, em Março, a folhinha já tinha se encarregado de evitar o pior. Nada de sextas-feiras 13.
Entretanto, ele nem vai precisar se cansar, afinal ninguém está preocupado com esses espelhos quebrados mesmo. Até porque num país que tem Geisy e sua “turminha da facul”, pensar nos vampiros da política e num pequeno tombinho de três levíssimas vigas do Rodoanel é perda de tempo. A melhor solução é não sair de casa no “dia do azar” e torcer para que nas eleições de Outubro as bruxas não estejam soltas.
[Crônica escrita em aula!]
