Depravação, tara, sacanagem, falta de vergonha. Ainda hoje, os desejos sexuais são associados à perversão e, por isso, pessoas que apresentam alguma patologia sexual são rotuladas e vistas de maneira deturpada por grande parte da sociedade.
Ao contrário do que o senso comum afirma a ninfomania não é sem-vergonhice. A falta de informação ou, simplesmente, o excesso de pudor para aceitar obter informações sobre o assunto, ajudam a nutrir o preconceito e, consequentemente, dificultam o acesso à solução desse problema.
A ninfomania é uma doença de ordem psiquiátrica que, segundo estimativas do Instituto Paulista de Sexualidade (Inpasex), atingia, até 2009, 5% da população brasileira. Caracterizada pelo desejo sexual compulsivo, ela atinge homens e mulheres sem distinção de idade ou classe social. A pessoa acometida pela doença preocupa-se a tal ponto com suas atividades sexuais que acaba por prejudicar outras atividades diárias, além de seus relacionamentos afetivos. Assim como outros vícios, a compulsão sexual é “diagnosticada” quando a pessoa não consegue controlar seus impulsos. No entanto, é importante salientar que a falta de controle sobre os impulsos sexuais não faz do ninfomaníaco um estuprador em potencial.
Não existe um número exato de relações sexuais para o diagnóstico da doença. Entretanto, a falta de concentração em atividades cotidianas, em função de pensamentos e desejos eróticos, costuma ser um fator crucial para que se possa identificá-la.
Como no caso de toda doença psíquica é indicado o tratamento com o psiquiatra ou terapeuta. Grupos de apoio, como o grupo Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (Dasa), também têm se mostrado importantes e eficientes. Em casos extremos, o uso de medicamentos – inibidores de desejo sexual – e, até mesmo, internações se mostram necessários para a contenção de riscos, principalmente a saúde do próprio paciente.
Segundo especialistas, a ninfomania não tem cura, apenas tratamentos que diminuem e inibem a compulsão. Infelizmente, a busca por ajuda normalmente só ocorre quando as atividades e o convívio com familiares e pessoas próximas estão fortemente prejudicados.
É de suma importância que a sociedade entenda e, acima de tudo, compreenda o que é a compulsão sexual, possibilitando então que os ninfomaníacos assumam sua doença e possam se tratar sem medo de serem julgados e condenados por seu vício.
Por: Luna Àghata
