
Verônica
julho 16, 2010Ela estava ali, sentada no mesmo lugar, imersa em seus pensamentos distantes. Verônica mergulhara no silêncio para ouvir o que seu coração gritava constantemente. Ela precisava mudar.
Imóvel em seu quarto, flashes dos últimos anos de sua vida mostravam o que ela se negava a admitir. Ela estava só, dolorosamente só.
A solidão que assombrava Verônica era das mais temidas, ela era rodeada pela família, pelas amigas e por alguns instáveis pretendentes. Sempre fora bem relacionada, chamava atenção por nunca estar calada, por ter sempre uma companhia a tiracolo . Mas, era solitária.
Há alguns meses, Verônica tentara relacionar-se com um ou dois rapazes. Tão logo apaixonara-se, tão logo desistira. Era uma mulher determinada, sabia o que queria e, por isso, não exitava em afastar-se de alguém quando notava que a dor estava se aproximando de seu coração.
Aprendera que deveria ser forte na frente dos demais. Perdera seu tempo preocupada em unir inteligência com beleza, doçura com firmeza, inocência com sensualidade. E, até agora, continuara sem ninguém. Chegara a conclusão de que ensiram-lhe a maneira errada de tentar ser feliz.
Agora, enfim, cansara-se de todos os artifícios de conquistas, de todos os jogos de sedução. Resolvera virar a página, abandonar a armadura que lhe fizera forte por todos esses anos. Uma força que nunca existiu. Decidira ser ela mesma, encarar a todos de cara limpa, de alma lavada. Mostrar-se frágil, carente, triste. Assumir-se humana, talvez pela primeira vez.
Por: Luna Àghata