
Individual, imoral e imperfeita
janeiro 25, 2011Enlouqueço ao pensar o quanto as pessoas imaginam que me conhecem. Não, meu nome não te diz quem eu sou. Ah, você não sabe só meu nome? Certo, mas quem foi que te disse que minha idade, meu sexo, meu trabalho ou até mesmo os óculos que uso te dão indícios de quem eu seja? Sim, eu nego novamente. Você não teria a ousadia de me conhecer.
Não a mim, que sou repleta de excessos, manias, problemas. Composta por angústias, medos, inseguranças. Que tenho crises de riso, de tristeza, de mau humor. Que falo bobagem, maldade e palavrão. Que dou risada por nada e que choro por tudo. Que sou desastrada, desligada, desorientada.
Logo eu que gosto de ler revista de fofoca, cadernos policiais e livros espirituais. Que não critico os que bebem, os que dançam sensualmente ou os que praticam sexo. Porque, sim, eu faço tudo isso. Que não me choco ao ver um casal se beijando, seja ele hétero ou homossexual, porque gosto de pessoas e acho lindo o amor entre elas.
Eu, eu que grito, pulo, canto. Que viajo, interajo e me recolho. Que respiro, suspiro, arrepio. Que dou carinho, abraço, amasso. Que sou assim e que não conseguiria ser diferente.
Não, você não aguentaria me conhecer. Não suportaria ver tão de perto tantos defeitos, entrar em contato com tantas falhas e deformidades. Não poderia apreciar alguém assim, tão individual, imoral e imperfeita.
Por: Luna Àghata